quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pra não Dizer


Eu vivo entre o (sor)riso e a lágrima de quem ama. E como eu te amo, menino!

Tu me dói como uma ferida exposta. Te enxergo cruzar o portão com meu coração guardado no bolso. Teus passos fazem a cor se esvair do meu corpo. Antes era tudo tão florido e bonito. A alegria partiu dentro da tua mala e você nem reparou. Cada pedaço de mim está grudado nas tuas roupas e só me sobrou o corpo. Você não viu ou quis levar-me como lembrança. 

Imagino partes minhas te completando sem que saibas. Eu parti do teu lado, meu amor, e você não sabe. Eu sou uma bagunça escondida debaixo da sua cama, um pequeno defeito no meio do seu quarto impecavelmente limpo com cada virtude que regara desde menino. Se embaralha com as cartas enquanto tenta equilibrar seus cadernos debaixo do braço, eu corro para ajudar Te digo o canal em que passará o filme no qual havia se interessado. Lembro-te de tomar os remédios para dor insônia e escrever e-mail para seus pais. Não esqueça da visita que prometeu. Sua mãe conta os dias para fazer seu almoço predileto. Eu conto as horas que passaram desde que se foi, antes mesmo de partires.

Perdoe-me. Perdoe-me, meu amor. Eu só sei falar sobre saudade e partidas porque eu te vejo ir embora todos os dias. Não ouso te ver arrastando sua poltrona no carpete da sala e se desculpando pela milésima vez por ter cochilado no meio do filme. Sonho com o dia em que trará as malas e dirá que de lá não sai, que de mim não sai. Mas o pesadelo quebra as janelas e apaga as luzes. A melancolia chuta os armários até o amanhecer e me impede de dormir. Os dias são chuvosos já faz tempo. Eu engoli as nuvens para que o temporal não chegasse na tua porta. Talvez seja minha natureza egoísta querendo a tristeza apenas para ela. Talvez seja porque teus olhos angustiados me doam mais que a própria angústia.

Fecho os olhos para não te ver parado à minha frente, temendo que tudo não passe de um sonho tão bonito que causará minha ruína quando o despertador tocar. Você é meu coma induzido e eu não quero abrir os olhos para a realidade que é viver sem tua pele roçando na minha. Eu já me perdi faz tempo. Nunca fui inteira. Você me encontrou. Eu posso me perder, mas não posso perder você. Sou de meias palavras e não te dou motivos suficientes para balançar tranquilo na rede. Eu pioro tua insônia e até causo tuas dores de cabeça com a solidão que me habita o peito. Detesta minha mania de virar as costas para o que sinto por medo do amor. Mas eu fico de frente para você. Cravo meus olhos nos teus e não mudo o rumo. Faço promessa absurda e cumpro. Eu gosto da noite, de sorrisos e de você. Eu faço a noite nossa, dos seus sorrisos, os meus, e você, eu. Então fica. Mais um pouco. Para o jantar. Para dormir melhor. Para desvendarmos alegrias na manhã de domingo. Para alegrarmos todas as manhãs. Fica. Fica pra sempre. 

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