segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vendo sem (te) Ver


Eu sou o clichê do sorriso escondendo lágrimas, à espera de alguém que enxergue meu medo de ser feliz demais, e me obrigue a ser porque é preciso deixar o depois para depois. Uma cética desejosa que apareça quem destrua os ideais racionais e afugente as certezas. Transformei-me em rocha sensível como cristal. Ouço pessoas em calçadas dialogando sobre o que não conhecem entre um trago ou outro em cigarros baratos, expulsando de dentro de si teorias sobre desconfiança válida ou desapego inteligente, poluindo meus ouvidos como a fumaça que sai com as frases poluem meus pulmões. Eu acreditava neles, mas negava. Entre andar de bar em bar tentando preencher o vazio existencial e molhar o travesseiro como uma criança assustada com as sombras da parede, eu escolho me afogar em lágrimas.
Eu tenho medo de me doer, mas queria sentir. Desesperadamente. Como queria! Mas uma embriagada cheirando nicotina não atrai destino bonito. Meu moço dos olhos cor de mel não sorriria ao me encontrar patética e trôpega. E, céus, como quero vê-lo sorrir! Adormeço com seu sorriso de encontro ao meu rosto. Passo os dedos pelo espaço na cama como se pudesse sentir sua pele firme através dos lençóis. Ele virá para ouvir o palpitar do meu peito e saberá que é só para ele. Eu também sei gargalhar leveza, brincar de não pisar nas linhas da calçada, encostar no muro e dar aquele suspiro seguido de sorriso que vejo nos filmes. Só preciso dele para me ensinar. Parte de mim devolve em sarcasmo. Pesadelos recordam que não conheci a frieza ao acaso. Tropeços fizeram de mim a sabotadora de felicidade que cansada e só se martiriza por discar tantas vezes o número errado. 
Nada sei, mas eu te sinto. Somos dois implorando por alegrias, sejam grandes ou pequenas, temendo que a vida as esconda assim que estendermos as mãos. Eu sei, meu bem, não preciso tocar seus braços para sentir a tensão em cada músculo, o desejo dos afagos que não ousamos pedir, o brilho dos olhos que insistimos em fechar. Eu me afundarei em agonia só para ver se você me faz ver graça nessa vida. Aceito a tristeza pensando em te encontrar expulsando toda a escuridão dentro de mim. Não passo de uma hipócrita que rotula-se com o ceticismo, escondendo a esperança de esbarrar no teu caminho. Tão iguais, com todo esse receio e toda essa vontade. Tanta vontade de jogar a certeza fora e amar sem pensar, sem fugir. Só amar, com tudo o que o amor traz consigo. Disseram tanto sobre esse bendito amor (até o chamaram de maldito, veja só!). Quero contar-lhe tudo, meu menino. Façamos nossa própria definição desse matreiro, o amor.

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