segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Desfecho


       O relógio marca 14h12. Estou firme entre os lençóis. A cara amassada de encontro ao travesseiro. Tem seu cheiro, diria em outra época. Tem meu cheiro, digo hoje. A mistura de perfume com suor feminino já conhecidos por nós. Mas nós não existe. Existe eu. Mas eu deixei de existir faz tempo. Existem dizeres afogados na laringe que faço questão de engolir. Tem gosto de fel.
       Passaram seis meses e parecem seis minutos. Li certa vez que andamos numa estrada, essa da vida. Falamos sempre sobre ela e seus tropeços, espinhos, curvas, caminhos íngremes, pontes de madeira velha e todas as metáforas para nomear dificuldades. Eu caí do precipício e só senti quando estava entre as pedras e a água do mar. Esperei que viesse me salvar, qualquer humano ou criatura que me visse entre os escombros de mim mesma. O ser humano, por mais só que seja, sempre aguarda por ajuda, seja de quem for. É nossa forma de nos aproximarmos da humanidade e renegar o animal sujo e degradante que cultivamos desde o berço sem saber, gostava de pensar. Até hoje, continuo a esperar.
       São 14h37. Estendo minha visita ao colchão. Na geladeira tem uma garrafa de whisky doze anos que demoraria mais tempo para pagar do que beber. Foi um presente de quem não sabe meu horror à bebida. Eu rio embriagada sem uma gota de álcool no sangue por receber presentes de desconhecido mas não ter ninguém disposto a me resgatar. Quero virar a garrafa até não sentir o rasgo descer à garganta. Até não sentir nem à mim. Mas beber para afugentar a tristeza, por si só, é triste. Corroer a alma é suicídio e eu imploro ajuda.  Eu não quero esquecer a tristeza com mais tristeza. Eu não quero levantar estancando a dor e deitar sangrando. Me escondo entre os lençóis.
       Tem calmaria mais barulhenta que multidão, meu bem. E eu me sentia em pleno show de rock dos anos oitenta. Está cheio de pessoas vazias, diriam os poetas. Não. Está cheio de seres ainda mais cheios, exorcizando fantasmas juntos em refrões repetidos dentro do carro, do ônibus, das ruas, encontrando-se num único ponto da cidade. Eles gritam uma vez, duas, três. Sorriem para a noite. Os dentes brilhando de encontro às luzes do palco. Ninguém vê, mas todos sentem os peitos jorrando. Por horas, são uma nação, o mesmo ideal desconhecido. Os mesmos hinos.
       Eu não falo sobre despedidas. Eu falo sobre passar o dia desamparada na cama e não ouvir o barulho do telefone e uma voz do outro lado da linha dizendo: “Escuta, eu tô sem tempo mas precisei ligar, você está bem?”. Eu diria tudo. Juro que diria cada palavra que surgisse na ponta da língua. Não faria sentido, mas diria. Porque o valor de quem ligasse seria maior do que a loucura de tentar ser só e junto ao mesmo tempo. Ou não diria nada. Há dias em que estamos tristes, só por estarmos tristes. Viver pesa e gasta os joelhos. Ser só ocupa todo o espaço do corpo, da cama e do quarto.
       Tem quem diga que quando tu deixas de viver, já está morto à muito tempo e não sabia. Eu morri e não fui enterrada. Estou morta e ninguém notou.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Utopia


O calendário marca a data do encontro, mas desconhece a primeira vez que os olhares se cruzaram. O encantamento não provém do acaso, era o que pensava entre madrugadas. Você anda inquieto pela cozinha e enxergo outro alguém entre tantos que habitam seu corpo. Tens tantos seres em um só que não ouso incomodá-lo. Me afetam todos. Eu não me declaro sobre o amor por medo de lhe ver entrando com a bagagem dentro de um táxi na manhã seguinte. Eu não falo sobre sentir porque sentir é doído e você tem a alma pesada demais para se sobrecarregar com a dor do meu afeto. Eu não falo sobre nada com os lábios porque palavras são minha vida e você é capaz de tirá-las com um único afago, posso perdê-las para sempre colocar no lugar sem pensar e sua partida então será a minha.

O cheiro do café vem da cozinha e faço uma careta de desgosto. "Eu quero vinho". "Não gosta de vinho". "Eu não gosto de vinho mas quero me embriagar". "Não quer, não gosta de ressaca". "Estou com ressaca da vida". "O café vai esfriar". "Wisky é muito forte e cachaça é desespero e cerveja é desapego. Vinho é confiança". Estou desesperada mas quero soar equilibrada. Me jogaste no olho do furacão mas não quero que saiba. Outro dia disse que não gosto de me entregar e admito ser verdade. Não digo em voz alta, só para mim, como aquelas utopias dos filmes. Você acende um incenso comprado na loja hippie da esquina. Disse que é bom para meditar ou qualquer coisa assim. Eu quero um cigarro. Diz que eu não fumo e respondo que agora irei fumar. Peço mais uma vez seu cigarro e não tenho resposta. Você some no corredor e a atuação desmorona por falta de platéia. Estou tentando ser alguém que não sou e você sabe. Sou uma covarde, mas isso guardo só para mim.

Você cola na porta do quarto um pedaço de papel rabiscado com sua letra preguiçosa me dizendo para deixar de fugir porque me entreguei já faz tempo e só eu não havia notado. Suas roupas já bagunçam o quarto junto das minhas e seus sapatos estão todos jogador ao redor da cama. Seus rascunhos já fazem parte dos meus. Dia desses completei um conto que havia começado e nem notou a mudança na caligrafia. Uso suas bermudas largas para dormir no verão e não havia notado o cheiro de perfume masculino no banheiro. Meus livros e os seus estão espalhados na estante e já não sei o que é de quem. Você invadiu meu espaço e eu mal notei quão vazia era a casa sem suas camisas penduradas na cadeira.

Eu luto sozinha uma batalha que você venceu no primeiro olhar demorado. Você tem uma mania cega de me dar aquilo que preciso e não o que quero, e isso me faz querer te empurrar contra a parede entre resmungos e querer fazer tudo pelo seu sorriso. Nossos mundos se colidiram há um par de meses com o intuito de trazer-te até mim uma vez mais, eu só não havia notado os sinais de que a parte que me faltava retornara. Foi tudo tão natural que mal notei seus dedos se encaixando nos meus para não se separarem mais.

Minha mão está fundida junto à porta e sou incapaz de me mexer. Você vai enxergar tudo quando olhar dentro dos meus olhos e isso me dá um medo imenso de te ouvir dizer não, não era isso o que eu quis dizer, não é tudo o que você está vendo. Quase sou capaz de te ouvir bater a porta e nunca mais terei suas bermudas no verão ou seus discos ou seus rascunhos e suas costas para encostar o rosto quando eu canso de lutar contra o sono. Te coloco em todos os meus rascunhos porque meus dedos não me obedecem mais e só te repetem e repetem como uma oração ou chamado ou grito angustiado porque você longe dói em cada célula.

Seu olhar encontra o meu quando a porta é aberta e você vê cada centelha da minha alma. "Aonde você vai?". "Vinho". "Vinho?". "É, vou comprar para você". "Eu não gosto de vinho". "Eu sei". "Está com aquele olhar". "Que olhar?". "Aquele que enxerga até a última atadura dentro do meu peito". "Então você também não quer meus cigarros?". "Não". "Então o que você quer?". Eu quero você. Sou triste e desamparada, mas quero você para enfeitar minhas ruas escuras. O ranger dos dentes não me assustam quando sinto seus braços frouxos sobre a minha cintura. Sou um misto de covardia e esperança que só espera os gritos e as lágrimas. Posso não merecer sequer uma pétala, mas quero você para regar meu jardim.

Você me chama de meu amor e pergunta o que há. Penso naquela do Chico, Nina. Eu não ouso visitar seu país, tão distante. Mas é o que desejo fazer entre uma melancolia e outra, me perder em você para jamais ser encontrada. Meu amor, não me chama de meu amor. Não causa esse arrepio na espinha que me faz querer toda a sua atenção pelo resto da vida. Seja casual e me deixe fugir. Eu não quero fugir mas me deixe fugir. "Se eu não for embora agora, será tarde demais". "Já é tarde demais". Você sempre vence.

sábado, 22 de dezembro de 2012

A Falta do Sorriso


Fechava meus olhos cansados e era seu rosto que se formava entre as manchas na escuridão. Não ousava abri-los, para que não desaparecesse como fumaça entre as frestas. O amanhecer demora e sem ele torna-se insuportável respirar. Permaneço inerte abraçada ao travesseiro com os olhos entreabertos para te ver entre sonho e realidade. Espero o dia terminar e ele teima em não começar. A ansiedade da volta é maior que a dor da espera, meu bem. O fim se aproxima e com ele seu sorriso voltará a iluminar a casa. As correntes presas em meus punhos não passam de incômodo passageiro no cárcere úmido do quarto solitário. Sua camisa gasta que tanto acompanhou os lençóis em noites vazias regadas à garrafas de vinho branco está jogada na cômoda porque hoje é noite de cravar as unhas na pele. Os discos que antes tomavam a sala estão guardados porque hoje é dia de apresentação ao vivo. A tevê fora desligada porque o único semblante que eu quero hoje é o seu ao abrir a porta. Os bilhetes na geladeira foram rasgados e jogados no lixo porque hoje é dia de esquecer as ocupações. Me livrei de toda parte secundária para que você caiba inteiro na noite.
O Sol já partiu e o relógio diz a cada batida do ponteiro que você também tem pressa e logo vem. Os dedos batem impacientes no braço do sofá até o estalo de passos no assoalho de madeira anunciar sua chegada. Talvez algum dia eu consiga dizer-lhe exatamente o misto de desespero e prazer que senti ao olhar para a porta. A chave nunca havia demorado tanto para destrancar a porta.
Eu toco seu rosto, você toca o meu. A voz que tanto queria ouvir tornou-se desnecessária assim que os olhos se encontraram. Era capaz de sentir o amor acarinhando a pele que você apertava como se tivesse medo que eu desaparecesse. Não era mais sonho, meu bem. Eu não diria adeus quando os olhos abrissem e você sabia. O ponteiro fez silêncio pela primeira vez em semanas. A casa calou enquanto o sentir dizia tudo. E assim ficamos. Imersos no mundo em que jamais deveríamos ter saído, onde seu corpo jamais se separa do meu. Eu tropecei nos teus calcanhares só para me encontrar nessa vida, meu bem. O destino entrelaçou teus dedos nos meus e fez de nossos corações um só sem que nos déssemos conta. Você sorriu. Eu sorri. Você me amou. Eu te amei. Suas terminações nervosas começavam onde terminavam as minhas. A vida se autodestruía em sua ausência e se reconstruía assim que sua mão girava a maçaneta da porta porque você sempre me quis inteira apesar dos remendos.
Pensei em dizer tanta coisa, bobagens diárias, declarações ardentes, frases hollywoodianas. Permaneci calada. É no silêncio que dizemos o que precisamos, você falava entre contos e histórias lidas na cabeceira da cama. E no silêncio eu disse tudo. A saudade agora parece não haver doído tanto assim e os dias talvez não estivessem tão lentos. A vida não é tão cruel agora que estou sentindo seu coração na palma da mão que está no seu peito. Está na minha mão agora, quis dizer. Mas não foi preciso, você sabia. Aos poucos foi diminuindo a euforia. O tempo da espera passou, meu amor. O sofá agora abriga dois corpos que mais parecem um só. Seus braços tomam meu corpo num abraço que deveria durar para sempre. Os lábios beijam toda a pele que conseguem alcançar. As chegadas me lembram todas as vezes que não importam as partidas, nos reencontraremos. A parte de um está cravada no outro. Mesmo que estejamos perdidos, meu bem, saberemos voltar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Meia Noite

As luzes da rua irromperam a cortina e desabaram nos meus olhos cansados. A claridade nas frestas expunha o monstro que habitava meu quarto. Os sapatos espalhados pelo chão, os livros abertos e grifados nos trechos que lembram a vida que sonhava ter tomaram todas as mesas da casa. As paredes brancas tornaram-se cinzas, mas apenas eu a vejo assim agora. Acredito que até eu tenha me tornado um tanto escura. Sem cor diante de tanta repugnância. Um ser perdido dentro de si mesmo.

A jaqueta vermelha que me deu no último aniversário permanece pendurada na cadeira em que recostava para espiar meus segredos de escrivaninha, o último resquício de quem eu era. Há dias em que me pego imaginando se tudo não fora um resultado do excesso de álcool de uma sexta-feira à noite, em que criei todo um passado colorido e repleto de flores pelas paredes para não desejar morrer na ressaca da manhã seguinte.

Então me recordo de você, menino. É tolo chamar-te de menino, eu sei. É tão homem quanto pode com seu olhar feroz. Um lobo perdido dentro do ser humano, vagando pelo mundo à procura da alcateia. Eu sempre fui esse monstro enjaulado tentando adormecer numa tarde qualquer e morrer de inanição. A minha parte sombria não quer se alimentar desse mundo por medo de fazer de mim tão asquerosa quanto todo o resto, então prefere a morte.

Estou exausta, meu bem. Grande parte disso não é sua culpa, ao contrário do que possa parecer. Fujo de você como o gato foge do cão porque sei que me despedaçará inteira até encontrar a essência dos meus pesares e mostrar-me as raízes. Corro para longe, mas preciso de você como a terra precisa de chuva, as árvores dependendo das águas para florescerem. Te preservo no lugar mais arejado e bonito do peito, escondido da maldade que entra pelas frestas. Em verdade, recordo-me de você para não decidir arrancar as grades da janela e me atirar do sétimo andar sem olhar para trás. Você é o passado bonito que lembrarei para morrer sorrindo quando estiver no meu último suspiro.

O mundo me dá asco. Tentei entrar em outra dimensão, procurar um lugar menos triste para viver. Quis mergulhar nas águas de Galápagos e me perder no meio do oceano, entre as espécies selvagens como nós dois, indomáveis. Mas a tristeza estava dentro de mim. A angústia rasgava meus órgãos e eu não desviava das garras. Eu bebi para vomitar até as entranhas e exorcizar o monstro que se esconde nas minhas veias porque ele e o mundo se uniram para me enlouquecer. Dois lados diferentes e inimigos tentando me cortar até se esvair toda a memória de que já habitei este quarto sombrio do apartamento 72.

Puxo as cortinas com força para trazer as luzes, torcendo para que elas penetrem na minha alma e mate toda a doença que o mundo passou nesses anos de felicidades ilusórias. Hoje a lua está tão bonita, meu menino. me convidarias para assistir ao espetáculo do amanhecer se estivesses aqui. Eu trocaria minhas roupas amassadas por um vestido florido e o seguiria até o parque, o alto do prédio, o fim do mundo. De todas as ilusões, você é a aquela que eu tornava real propositalmente, para forçar um sorriso esperançoso.

O desespero me dá pontapés no estômago e eu te chamo inconscientemente olhando os bares cheios de jovens embriagados e risonhos, gritando histórias insanas enquanto bebem clandestinamente, enroscados uns aos outros em seus abraços selvagens de amigos de botequim. Os invejava abraçando aqueles que são equivalentes ao que você é para mim, despreocupados e excitados com o agora, como se amanhã não houvesse a dor de facadas por pensar tão pouco e a secura da garganta e coração.

A dor deles é a de se entregarem demais ao carpe diem aprendido nas salas do colegial, levado ao pé da letra por uma juventude perdida em certezas descartáveis. Minha dor é a dor de não ter ninguém por perto além dos monstros escondidos em cada sombra da casa. A culpa deles sempre será a de ter bebido demais na noite passada, gestos repetidos todos os finais de semana e confraternizações entre desconhecidos unidos pelo desejo de cometer loucuras.

Minha culpa é andar na contramão, esperando que alguém cometa a loucura se de aproximar da minha sanidade disfarçada. Tua culpa é não estar aqui do meu lado para tornar-me mais como um ser humano, menos como um fantasma que assombra a si mesmo.

Isso pode não lhe fazer sentido algum, meu menino, mas diz tudo.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Lembro de você em You and Me

Começo a sorrir. A medida em que te imagino recostado na cadeira ouvindo as notas da canção aí do seu lado do globo, o sorriso cresce. Toma meu rosto. Aquece daquele jeito que nos faz querer deitar e dormir só para terminar a noite bem, como criança após jantar sua comida preferida e dormir satisfeita enquanto o pai lê uma história de final feliz.

O mundo é nojento e as pessoas são cruéis, amor. O mundo é cruel e as pessoas são nojentas. O mundo e as pessoas são uma coisa só, um todo que me entristece até um pedaço de esperança morrer. Eu me tranco no quarto e quero desaparecer. Eu quero me unir ao papel de parede e tornar-me parte da casa, um todo perdido no meio desse desdém feito de paredes e tijolos.

Na beira de toda essa loucura asfaltada, é tua voz que escuto vinda de algum lugar da multidão.

Queria dizer doçuras para lembrar-se de mim do seu lado do mundo e sentir o peito quente como o meu fica quando partes de você aparecem no meu dia, mas a vida está difícil. Só sinto angústia, amor. Eu queria que soubesse que está ardendo tudo aqui dentro, como uma ferida recém aberta, mas ainda há beleza esperando por você. Diria para não se preocupar, mas a verdade é que quero seu desespero, para que venha bater na porta de casa, porque a vida me dói demais e só teu afago pode me curar.

A música diz que somos só você e eu. É disso que preciso para terminar a noite acreditando que há um jardim só nosso no fim da estrada. Estou do outro lado da rua e você está no mesmo caminho.

Eu repeti a canção três vezes para te cravar na minha mente a noite inteira. Te vejo fazendo o mesmo. Ou imagino. Já não sei o que existe e o que inventei.

Queria te ver hoje, mais do que todos os outros dias. Precisava te encontrar hoje para dormir sem dor pelo menos por uma noite. Não será possível, eu sei. Os dias andam tão corridos que mal tem tempo de terminar o café. Meus dias rastejam e a vontade de chorar aparece até na hora do almoço. Você sabe, não costumo debulhar em lágrimas durante o dia, mas até o jornal da manhã já possui marcas de lágrimas.

Esqueça tudo o que eu disse. Foi só desespero, saudade e a dor aguda de viver que tem me tomado o juízo e provocado crises de tristeza. 

A música já toca pela sexta vez e ainda absorvo a letra como se nunca houvesse escutado antes. Eu respiro fundo no refrão todas as vezes. Somos só eu e você. Nada mais.

Me embriago de você para dormir melhor.

Só queria te avisar que te abracei em pensamento e sussurrei a canção no seu ouvido.

Sentiu o abraço?
Ouviu a canção?
Me sinta como eu te sinto e me enxergue no outro lado do mundo.

Eu te amo, e você sabe.
Boa noite.
Sonha bonito. Sonha comigo.