Aceito minha solidão com o vazio que ela traz na bagagem. Eu não sei chorar, mas choro. A dor de ser tanta coisa em coisa nenhuma e sentir-me menor ainda por não suportar a própria dor de me ser. Há um momento entre um abismo e o outro em que não aguenta mais e não querer parar. Estar em cima do muro que te impede de mudar o rumo e não lhe deixa prosseguir o seu. Então não se sabe de mais nada. Uma dor aguda no fundo da alma. Um estar só que enche os olhos de lágrimas só em lembrar como é ter alguém. Choro por mim, por todas as lágrimas caídas sem alguém que afague as pálpebras pesadas até que elas se fechem e renasçam no amanhecer. Pela solidão do domingo e a farsa nos sorrisos da segunda-feira. Choro porque não chorar é suicídio e já cansei de morrer três vezes ao dia. O telefone mudo diz mais do que os dias são capazes de ensinar. Eu não tenho ninguém, então deixo as lágrimas fazerem em mim o afago que peço de mãos que me negam. A solidão que me conforta é a mesma que me rasga. Estou me doendo inteira e é apenas o princípio.
P.S.: Espero que não compreenda sequer uma palavra do que lhe digo neste bilhete. Compreender significa conhecer. Eu não quero que você conheça o que é se doer a ponto de não sentir dor nenhuma, de só querer mergulhar nas águas salgadas que saem dos olhos e nunca mais sair da cama. Eu não quero nada disso para você. Deixe a dor somente para mim, está bem? Leia e me enxergue. Não me olhe, me enxergue! Apenas queria ser salva, compreende? Um afago seu poderia me salvar. Ou um olhar. Sou uma mendiga de sentimentos e faço o pouco durar semanas. O que quisesse dar, por menor que seja, já seria um passo longe do precipício.
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