sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Nota de meus excessos, II.
Se o mundo acabar, o samba não tocar, as letras forem vãs e as palavras descartáveis. Se a tristeza pesar, se derem uma rasteira e rirem do corte que o tombo fez no supercílio. Se a janela ranger e privar do consolo que é sonhar por meia hora todas as madrugadas. Se a melodia for oca e as canções tornarem-se mudas, a voz não sair e a literatura morrer. Se as têmporas não suportarem o latejar do crânio e respirar cansar os pulmões. Se viver doer por si só e existir doer ainda mais pela desistência implícita no ser. Se o cair da noite confirmar meus temores, meu bem, deixe-me te beijar, pode ser meu último ato nessa vida.
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