A noite é das estrelas e dos solitários. À ela entrego o pudor antes roubado pela letra da canção. Aprendi a sentir nas sombras, a única luz vindo da lanterna iluminando os contos. Luzes me cegam, meu bem, compreenda. Se expor para as luzes é desnudar o rosto da máscara talhada para o sentir não escorrer pela fresta. Só me permito os gritos ensandecidos à nós dois na calada da noite, cada sensação ouvida com clareza através do silêncio, ecoada em todos os cômodos. Escolhi a escuridão porque ela não julga meu amor mendigo, faminto por qualquer dose de afeto que me revire as entranhas. A noite nos escolheu porque o mundo não merece assistir nossas reviravoltas literais e abstratas. As mãos se perdem nas curvas e encontrá-las é um prazer negado aos que temem entregar-se por completo. As surpresas tornam-se eternas quando apenas nós dois vemos o que há além dos dedos que esmagam a carne. Disseste que somos solidão à dois. Não há sentido repartirmo-nos com o mundo. Nosso amor é mais bonito à luz de velas.
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