quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobre o mesquinho amor do Mundo



As histórias se repetem com diferentes personagens. Novas dores despertam do mesmo pesar nascido da falência dos anseios escondidos em cada ceticismo. O romantismo perdeu a direção na exata curva em que encontrou meus pesadelos. Eu acredito nos sinais que o corpo curvado faz questão de exaltar. Ouço o ranger dos ossos dessa alma que carrega, o peso de mil vidas que cuida como se fossem presente e não o resto das sombras que grudaram nas bordas. Vejo tua dor como uma ferida exposta e a sinto com a solidariedade do público ao assistir uma tragédia grega, fascínio e horror mesclados naquilo que seria o principal, teu desalento. Odeio o sensacionalismo dos sentimentos. A verdade é que o mundo não sabe amar, mas a verdade não existe, é o que dizem. A realidade é uma via de mão dupla, mas a realidade está dentro dos seus olhos esperançosos e a esperança nos cega propositalmente para que não nos suicidemos antes dos 25. Sou subjetiva porque o ser humano é abstrato em todas as esferas. Não passamos de metades que tentam desesperadamente se encaixar em qualquer coisa capaz de nos livrar dessa loucura que é adormecer de braços dados com travesseiros. Somos apaixonados pela ideia do amor mais do que pelo objeto amado. Mesquinhos e sujos, infectados pela doença do mundo. Somos doentes em estado terminal em busca da salvação. 
Você se entrega ao veneno pensando que é vinho e não compreende a vida que se esvai sobre o vidro quebrado. Sentir em demasia é pecado aos olhos do mundo que te apedreja quando um vestígio de flor surge dentro do peito. O asco é glorificado e você se dói porque não entende o remorso presenteado à doçura grudada em teus dedos calosos. O sentir real é um mendigo sem dentes e faminto rejeitado na metrópole. Ele estende as mãos em busca de centavos ou mesmo um afago na ponta dos dedos para perceber que ele ainda existe e não é uma natureza morta, um pedaço de concreto pisado diariamente. Até que um dia alguém o enxerga além da roupa imunda e se aproxima, toca, levanta e carrega para casa. Então ele acorda. O sentir sonha e mora no coração daqueles que fecham os olhos e vêem além da rotina, além da memória real. Ele só confia naqueles capazes de criarem sua história à parte. E se você for esse alguém que se comove com o mendigo, o mundo te vê como ele. Você se atira no precipício e se entrega. Se dói porque a essência da alegria é a tristeza e tu prefere morrer a se poupar, porque não sentir é uma dor ainda mais profunda. E o mundo, ah, pobre mundo, não aceita nada além do que se pode ver. O concreto rasga as entranhas do abstrato até que não haja nada além do palpável. Mas o sentir não gosta do morno. Sempre existe uma entrelinha antes de cada vírgula e você sabe. Na tua testa há a palavra loucura escrita em vermelho mas não se importa, eles são incapazes de ver o que esconde sob a pele. O essencial está aonde ninguém vê. Sentir é a loucura fantasiada. Amar nesse mundo é ousadia capaz de levá-lo à pena de morte, e você adora cravar os pés e deixar marcas de sangue sobre o concreto para dizer que ali há muito mais além do cinza.

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